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Cartas de Juventude, Antoine de Saint Exupéry, Tradução: Carmen Lucia Cruz Lima Gerlach e Juliane Bürger, Editora da UFSC, SC, 2000, 78 p., ISBN – 85-328-197-8

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Um dos livros póstumos de Exupéry, contendo 25 cartas do autor para sua grande amiga Renée Saussine que, nas cartas, ele carinhosamente chama de Rinette. As cartas foram escritas entre 1923 e 1931. Elas foram publicadas pela primeira vez pela Gallimard em 1953, ou seja, 7 anos após a morte do autor. A primeira edição francesa deste livro tem um prefácio escrito por Renée.

As tradutoras fizeram um trabalho primoroso, oferecendo aos brasileiros, pela primeira vez em português, uma vez que a obra nunca havia sido traduzida no Brasil. Esta iimportante obra do autor de O Pequeno Príncipe,  foi impressa pela editora da Universidade Federal de Santa Catarina em comemoração ao centenário do nascimento do autor.

Alem das 25 cartas, o livro conta também com uma introdução escrita pelas tradutoras, de uma riqueza quase tão grande quanto a obra que elas traduziram, revelando-nos aspectos significativos da história e da personalidade de Exupéry.

Lamentavelmente, elas não incluíram na obra, o prefácio escrito por Renée na primeira edição desta obra que traz tantas informações importantes sobre aquele aviador que encontrou num deserto um principezinho que fazia muitas perguntas e nunca respondia às que lhe faziam. Trás também, no final, nas referências bibliográficas, uma bibliografia completa do autor, biografias escritas sobre ele, artigos de jornaisnacionais e um glossário de palavras empregadas pelo autor nas cartas. Muito útil por sinal, para melhor compreensão do livro.

Ou seja: é uma obra quase completa, que fica maculada, tão somente, pela falta da insersão do mencionado prefácio.

Ao ler estas cartas, cheguei a ficar com raiva de Rinette, pois fica evidenciado nelas, que ela não dava a Exupéry, a devida atenção. Quase que ignorando-o. São inúmeros os insistentes pedidos de Exupéry para que ela respondesse as suas cartas.

Na primeira das cartas, não datada mas, com uma nota das tradutoras de que ela, provavelmente, havia sido escrita em outubro de 1923, Exupéry faz referência a um livro escrito por Rinette que ele estava com o manuscrito para dar opinião. Para isto, ele faz alusão ao discurso de um amigo, cujo nome fictício é Eusébio, que segundo as tradutoras é inspirado em um personagem de uma peça cômica de um escritor francês. Em outras cartas ele volta a fazer alusão ao amigo de nome imaginário. Nesta, ele dá uma verdadeira aula de como escrever, elogiando o texto da amiga e finaliza agradecendo-lhe por ter tocado para ele em outro dia músicas de Bach.

A segunda carta é uma preciosidade que lembra muito o estilo de A cidadela, outra obra póstuma do autor e já comentada aqui no blog. As descrições do lugarejo aonde ele tinha parado  para livrar-se de uma tempestade de neve são primorosas. Os detalhes significativos que ele usa para descrever o lugar… Coisas como? “Um trem a vapor que passeia como um brinquedo em trilhos minúsculos de quatro em quatro horas faz o único barulho da cidade.” Ou “Fomos então logo acolhidos na intimidade de Dompierre-sur-Besbre. Apertados entre uma quitandeira gorda e o farmacêutico, conhecemos em cinco minutos, o nome do tenor, as pinturas da filha do suplente e o sotaque do local. Que confiança.

Antoine de Saint Exupéry nasceu Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry em Lyon, no dia 29 de junho de 1900 e faleceu em 31 de julho de 1944 quando o avião que pilotava  num voo de reconhecimento, foi abatido  nas imediações da Córsega, ilha localizada a oeste da Itália no mar Mediterrâneo. Até pouco tempo não se tinha certeza de sua morte pois seu avião nunca fora encontrado nem seu corpo mas, recentemente, foram encontrados os destroços de seu avião, embora seu corpo nunca tenha aparecido.

Filho do conde Jean Saint Exupéry e da condessa Marie Boyer de Foscolombe, estudou no colégio de Notre Dame em Mans, cidade a noroeste da França, próxima a Paris, famosa pela corrida automobilística das 24 horas de Le Mans. Teve três irmãs e um irmão (François) sendo ele o terceiro filho. Entra para o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo, embora quisesse ir para Força Naval mas foi reprovado no exame.

Como piloto civil faz o transporte de correspondências entre Toulouse, Casablanca e Dacar juntamente com seus grandes amigos a quem faz referência em vários livros como Mermoz ou Guillaumet. Seu primeiro livro publicado foi Correio Sul em 1929 mas, foi dois anos depois, que publicou Voo noturno que lhe rendeu o prêmio Femina em 1931. Seu primeiro texto publicado, no entanto, não foi Correio sul e sim L’aviateur (O aviador), publicado no nº 11 de uma revista denominada Le navire D’argent . Vieram depois Terra dos homens (1939), Piloto de guerra (1942), seu livro mais famoso, O Pequeno Príncipe (1943) e por fim, seu último livro publicado em vida, em 1943, Carta a um refem que, acredito, nunca foi traduzido para o português.

Após sua morte foram publicados mais quatro livros – Cidadela (1948), o principal deles já mencionado, este Cartas de Juventude (1953), Cartas à sua mãe (1955) e Escritos de guerra (1982). Alem destes livros citados, Exupéry escreveu também A dançarina Manon e outros textos inéditos (2007).  Ele também escreveu vários textos em revsitas e jornais no mundo inteiro. Citamos artigos escritos para Revista Marianne entre 1932 e 1939, artigos consagrados a Jean Mermoz, piloto francês muito admirado por Exupéry entre 1933 e 1937, um artigo sobre Moscou no jornal de maior circulação na França, o Paris Soir, em 1935, Voo interrompido – Prisão de areia em 1936 e reportagens sobre a Guerra da Espanha entre 1936 e 1937.

Sua obra mais famosa e traduzida para mais de 350 idiomas, sendo a obra francesa que mais vendeu no mundo inteiro, com cerca de 143 milhões de exemplares vendidos segundo informações  da Wikipédia. Entretanto ele escreveu vários outros livros. O Pequeno Príncipe é o segundo livro mais traduzido no mundo e, só perde para a Bíblia em relação a isto, segundo reportagem da RBSTV no dia 06/02/2012 (Disponível aqui).

Em 2012 houve em Florianópolis SC, uma exposição intitulada O aviador e o pescador, muito concorrida e, posteriormente, precorreu vários locais no Estado, em homenagem ao famoso escritor. Visitou a exposição um sobrinho neto de Exupéry, ou Zeperry como é chamado pelos pescadores da ilha catarinense.

O livro é uma sucessão de encantamentos e descobertas. É maravilhoso! Tem até fotos relíquias como esta a seguir, de Exupéry com 20 anos ao receber seu brevê de piloto.

Exuperyweb

Foto extraída do livro Cartas de Juventude (p. 36)

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Alberto Valença nasceu em Olinda - PE. Sempre gostou muito de escrever, sendo a leitura um de seus divertimentos preferidos. Com quatro graduações concluídas, o autor enveredou por várias áreas do conhecimento. Em 1973 concluiu Licencitaura em Física pela UFPE, em 1980 concluiu Bacharelado em Psicologia e Formação de Psicólogo com especialização na área de Psicologia Escolar. em 1999 bacharelou-se em Direito e, no mesmo ano, foi aprovado na OAB-PE exercendo a profissão por dez anos. Publicou em 2014 um poema numa antologia e, agora, publica 15 poemas em outra antologia. Desde a infância gostava também de cinema e, em 2006, criou o blog Verdades de um Ser no qual divulga seus textos e comenta sobre literatura e cinema. Posteriormente, criou também o blog O seu companheiro de viagem, com o qual compartilha suas experiências de viagem oferecendo sempre dicas valiosas para quem quer viajar.
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Uma ideia sobre “Cartas de juventude [Livro]

  1. Denise

    Muito bom post, como sempre, e adoro Saint Exupery. Nao conheco suas cartas, mas Rinette com certeza devia ser uma pessoa ocupada, nunca se sabe, e nao respondia logo, ao passo que ele deveria ser alguem com muita sede de expressao e gostaria de resposta rapida. Eu acho que compreendo Rinette 🙂 E que tempo bom, trocar cartas quase como livros, agucando a imaginacao com descricoes; hoje nao eh mais assim, que pena 🙁 Nao sou da geracao de enviar cartas, mas gostaria de ter passado mais por isso.
    DenisesPlanet.com

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