O magnífico traído – Antonio Pietrangeli [Filme visto há 50 anos]

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Título original – Il magnifico cornuto

Com um roteiro de Ettore Scolla e outros, Il magnifco cornuto é um filme baseado no livro Le cocu magnifique de Fernand Crommelynck e mostra a futilidade e os costumes da sociedade burguesa italiana.

Direção – Antônio Pietrangeli

Do mesmo diretor de Conheço bem essa moça (1965), Antônio Pietrangeli realizou com este filme o melhor trabalho de sua vida. Ele começou sua carreira como crítico de cinema e posteriormente como assistente de direção. Foi considerado o Diretor das Mulheres, havendo inclusive uma tese de doutorado em filosofia de autoria de Emma K. Van Ness explicando este cognome.

Resumo do filme

Andrea (Ugo Tognazzi) é um chapeleiro muito bem sucedido, casado com a belíssima Maria Grazia (Claudia Cardinale) e dono de uma casa espetacular com muitos empregados. Vivia bem com a esposa até que, um belo dia, ele trai sua bela Maria Grazia com Cristiana, esposa de um amigo. Após esse episódio ele fica angustiado e se questionando como que Cristiana conseguia manter uma relação tão boa com o marido que não desconfiava de nada. Ela dizia que amava o marido mas também o traia frequentemente com outros homens. Ele queria entender como isso era possível pois, se acaso fosse com Maria Grazia, ele logo desconfiaria.

Mas, fica também se perguntando, se ela não estaria fazendo também a  mesma coisa. E fica desesperado. A partir de então, Andrea passa a procurar indícios de que Maria Grazia, que era muito cobiçada por todos, não estivesse também lhe traindo. E as situações mais hilárias são descortinadas para o espectador. Maria Grazia era, claramente, uma esposa fiel e dedicada mas, a obsessão de Andrea chega a tal ponto que ela termina sendo obrigada a admitir a traição com o arquiteto que estava fazendo a reforma da casa.

E, no dia em que Andrea bate com o carro e fica convalescente, Maria Grazia acaba por trair realmente o marido com o médico que vem tratar dele. E, desde então, vive uma vida semelhante à de Cristiana. E Andrea de nada desconfia pois, na sua obsessão de vigiar a esposa, num telefonema interceptado dela para o arquiteto, chega à conclusão que a esposa era fiel.

Maria Grazia  liga para o arquiteto para desculpar-se por tê-lo envolvido numa situação vexatória. Tivera que dizer ao marido que o traia com ele, e o arquiteto fica indignado, fazendo com que Andrea tenha certeza da fidelidade da esposa.

Dados técnicos do filme

Produção – Itália e França
Ano de lançamento – 1964
Duração do filme – 1 hora e 56 minutos
Música – Armando Trovajoli
Roteiro – Ettore Scola, Diego Fabbri, Ruggero Maccari, Stefano Strucchi
Gênero – Comédia satírica romântico psicológica com cenas de drama e crítica.
Elenco e personagens:
Claudia Cardinale como Maria Grazia
Bernard Blier como Mariotti
Ugo Tognazzi como Andrea Artusi
Michèle Girardon como Cristiana
Domenico Ravenna como o amigo de Andrea
Gian Maria Volonté como o Assessor
José Luis de Villalonga como o Presidente
Paul Guers como Gabriele
Susy Andersen como Wanda Mariotti

Minha opinião sobre o filme

Assisti a este filme no dia 27 de janeiro de 1967 no cinema Eldorado, em Afogados, bairro do Recife. Era uma sexta-feira. Considerei o filme excepcional, atribuindo-lhe seis estrelinhas.  A cotação moral que lhe impus foi a de adultos de sólida formação. Este filme, a exemplo do De olhos vendados, só pelo fato de ser com Claudia Cardinale, já o tornaria um filme diferente. Mas não é só por isso que o filme foi considerado com mais estrelas do que o máximo. Ele realmente tem algo de excepcional. Pietrangeli consegue dirigir o filme dando-lhe um rítimo ágil e com tomadas de câmera bem marcantes.

Os protagonistas (Claudia Cardinale e Ugo Tognazzi), assim como alguns coadjuvantes, desempenham seus papeis com segurança e de forma convincente. O roteiro é bem criativo e as situações nas quais Tognazzi se insere são muito divertidas.

Apesar do filme ser em preto e branco, todas as cores de um cenário machista de uma sociedade burguesa preocupada com coisas insignificantes e com aparência de as mil maravilhas, são transmitidas ao espectador.

O ciúme doentio de Andrea, que criticava o amigo cornudo termina voltando-se contra ele próprio que, depois, transforma-se no maior representante da classe dos traídos. Uma frase que Cristiana diz a ele ilustra muito bem o que acontece em geral. Ela diz que os homens só desconfiam das mulheres que são inocentes. E é exatamente assim que acontece. Na hora em que ele para de desconfiar de Maria Grazia, é justamente, quando ela começa a traí-lo.

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Alberto Valença nasceu em Olinda - PE. Sempre gostou muito de escrever, sendo a leitura um de seus divertimentos preferidos. Com quatro graduações concluídas, o autor enveredou por várias áreas do conhecimento. Em 1973 concluiu Licencitaura em Física pela UFPE, em 1980 concluiu Bacharelado em Psicologia e Formação de Psicólogo com especialização na área de Psicologia Escolar. em 1999 bacharelou-se em Direito e, no mesmo ano, foi aprovado na OAB-PE exercendo a profissão por dez anos. Publicou em 2014 um poema numa antologia e, agora, publica 15 poemas em outra antologia. Desde a infância gostava também de cinema e, em 2006, criou o blog Verdades de um Ser no qual divulga seus textos e comenta sobre literatura e cinema. Posteriormente, criou também o blog O seu companheiro de viagem, com o qual compartilha suas experiências de viagem oferecendo sempre dicas valiosas para quem quer viajar.
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