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Questões gramaticais # 16 – Emprego de Haver significando Existir

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Houve ou houveram?

O uso do verbo haver significando existir causa muitas dúvidas nas pessoas e, frequentemente, escuto ou leio um emprego errado deste verbo. Vou então escrever um pouco hoje sobre como empregar corretamente o verbo haver nestas situações.

Que resposta você deu para a pergunta acima na imagem?  Qual a forma correta?

Haver significando existir

Bem, se você escolheu a primeira alternativa, acertou. Mas muitas vezes escutamos a segunda alternativa não é mesmo? Sabe por quê? Algumas pessoas acham que o verbo sempre tem que concordar com o sujeito. Mas isso não é verdade. Em algumas situações (como esta, por exemplo), o verbo é impessoal, isto é, ele não concorda com o sujeito e fica sempre no singular.

Então se lembre a partir de agora. Sempre que empregar o verbo haver, veja se pode substituí-lo pelo verbo existir. Em caso afirmativo, ele ficará no singular, independente do sujeito ser plural ou singular.

Outras situações semelhantes

Também é impessoal o verbo HAVER significando tempo transcorrido. Por exemplo: Há dez dias que a loja está fechada.

Situação equivalente ocorre com o verbo FAZER significando tempo. Sempre que o verbo FAZER é empregado no sentido de tempo ele é impessoal, logo, não varia com o sujeito. Independente de o sujeito estar no singular ou plural, o verbo sempre será empregado no singular (3ª pessoa).

Desse modo, qual é o certo? Fazem duas semanas que estou doente, ou Faz duas semanas que estou doente?

O correto é Faz duas semanas que estou doente, pois, como o verbo FAZER está empregado no sentido de tempo, deve ficar na terceira pessoa do singular, independente de ser uma semana, duas ou dez semanas.

Exemplos:

Emprego correto.

Faz três meses que eu comecei a me exercitar

Os operários fazem carros na fábrica (não está sendo usado em situação de tempo)

Faz mais de dois mil anos que  Jesus nasceu.

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Questões gramaticais #15 – Regência verbal – ASSISTIR

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Uma lição de português para quem não quer passar por ridículo

Como você fala? Hoje fui assistir o filme ou fui assistir ao filme? O que você acha que está correto? Vou assistir a uma partida de futebol ou assistir uma partida de futebol?

Se você respondeu a primeira alternativa nas duas frases acertou.

Infelizmente, tenho visto com tristeza, a maioria das pessoas cometer o erro de usar o verbo ASSISTIR de forma inadequada. Este verbo é especial. Ele possui três significados diferentes, um para cada regência verbal.

Regência verbal

Para quem não sabe, regência verbal é um assunto que indica a forma de um verbo ser aplicado, isto é, se ele é transitivo direto, indireto ou intransitivo. Transitivo direto é aquele que entre o verbo e o objeto (complemento do verbo)  não há preposição. Transitivo indireto é quando o verbo exige (daí o nome de regência) uma preposição entre ele e o objeto. E o verbo é intransitivo quando o verbo não exige um complemento.

  • O verbo assistir pode significar ajudar, prestar assistência ou auxílio a alguém, neste caso ele é transitivo direto, ou seja, não exige preposição.

Exemplos:

  1. Os planos de saúde resistem a assistir os idosos.
  2. As enfermeiras assistiram os feridos
  • O verbo assistir pode significar estar presente, ver um filme ou programa de TV, neste caso ele é transitivo indireto, ou seja, exige uma preposição entre ele e o objeto.

Exemplos:

  1. Vou assistir a uma partida de futebol.
  2. Ontem fui assistir ao filme que estava em cartaz no cinema.
  3. Você pode assistir ao filme online aqui no blog.

Há ainda uma questão importante quanto ao verbo assistir como transitivo indireto. É que ele não admite as formas  pronominais átonas como la, las, lo, los, lhe, lhes. Apenas as tônicas como a ele, a eles, a ela, a elas. Portanto, é errado escrever, por exemplo, “O filme é bom mas ainda não fui assisti-lo” ESTÁ ERRADO! O correto é “ainda não fui assistir a ele”.

  • E ainda pode ser intransitivo, no caso de significar morar, residir.

Exemplos:

  1. Eu assisto em Recife e você no Rio de Janeiro.
  2. Ele assiste em sua casa na rua do Ouvidor.

Respondendo então à pergunta inicial, o correto é “Fui assistir ao filme” e não, fui assistir o filme como muita gente anda escrevendo por aí. Lembre-se sempre. Se assistir estiver ligado a ver exige preposição. Assistir ao filme online, assistir à sessão de cinema, fui assistir à última sessão no cinema (com crase).

Infelizmente, até professores de português, vivem cometendo erros na internet. Comprovem com a foto colhida ontem do site Brasil Escola. Lamentável uma professora de português, em um site assim denominado, ensinar uma barbaridade como esta. Dizer que o complemento de um verbo é a preposição.  Nome da professora? Vânia Duarte. Deixei lá um comentário dizendo que o complemento exigido pelo verbo transitivo é chamado de OBJETO, que pode ser direto ou indireto. A preposição é um complemento exigido pelo verbo transitivo indireto. O erro dela foi dizer que o complemento do verbo é a preposição, afirmando ainda que, verbos intransitivos não exigem preposição. Isso é absurdo! Quem não exige preposição é o  verbo transitivo DIRETO.

verbo assistir-erro do site brasil escola

Site Brasil Escola – Erro de definição

Observação – Esta é a postagem de número 500 deste blog. Por esta razão, escolhi um tema que gosto de falar sobre ele – correção de texto e/ou de fala.

Como o próprio título indica, este é o 15º texto que escrevo sobre questões gramaticais da língua portuguesa. Se desejar, pode consultar na lista abaixo os demais títulos.

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Diferença entre homófonas e parônimas

Outro dia fui levado a visitar uma página de uma pessoa e lá deparei-me com um pequeno deslize na nossa gramática. Esta pessoa escreveu uma coisa querendo dizer outra. Chamou de homófonas palavras que na verdade são parânimas. Então deixei lá um comentário que a pessoa não publicou, infelizmente. Provavelmente, ela conhece nossa gramática e não escreveria tamanha asneira mas, infelizmente, apesar de alertá-la sobre o fato, ela nem corrigiu e, sequer publicou meu comentário.

comprim-ou-cumprim

É muito triste quando alguém não admite que pode falhar. Não vejo vergonha nenhuma nisso. Todos nós somos humanos e estamos sujeitos aos erros, logo, não há vergonha alguma se os cometemos. Sentiria vergonha, se acaso alguém me apontasse um erro meu, e eu continuasse insistindo nele.

Bem, mas vamos ao que interessa.
Homófonas, são palavras de mesmo som mas com escrita e significados diferentes. Homo <=> igual e fonos <=> som.

Parônimas, são palavras com som e pronúncia parecidos porem com significados diferentes.
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Existem ainda as homônimas, que são palavras de som e escritas
idênticas com significados diferentes.

Vamos agora aos exemplos.
Homófonas – São homófonas as palavras acender (ligar a luz, fazer arder) e ascender (subir) ou senso (qualidade de sensato) e censo (contagem de habitantes) ou ainda seção (divisão) e sessão (reunião) entre outros.

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Parônimas – são parônimas as palavras eminente (que se destaca) e iminente (prestes a acontecer).  Também são parônimas as palavras amoral (sem moral) e imoral (contrário à moral) e ainda comprimento (extensão) e cumprimento (saudação);

Homônimas – são homônimas as palavras banco (de praça) e banco (instituição financeira) ou manga (de candeeiro) e manga (fruta) entre outras.

Algumas palavras homófonas costumam causar grande confusão. É o caso por exemplo de mau e mal. Mau significa ruim, é o oposto de bom, e mal significa incorreto, insatisfatório, sem saúde e é o oposto de bem. Bem me quer, mal me quer. O bom ladrão e o mau ladrão.

Outro exemplo de parônimas que causam também confusão é o caso de emergir e imergir que lá nessa página mencionada, a pessoa afirmou serem homófonas. Inclusive ela oferece uma regrinha que não tem nada de correta. A regra engraçada que faz um trocadilho com as palavras é a seguinte:
EMERGIR = Sair da água; (começa com E)
IMERGIR = entrar na água, afundar. (começa com I)
Com o E temos ir para fora (que é a letra com que começa emergir)
Com o I temos entrar (que é a letra com que começa imergir)
Entrar começa com E e diz respeito a uma coisa que começa com I (imergir) e “Ir pra fora” começa com I e diz respeito a uma coisa que começa com E (emergir).

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O uso da crase

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Não sou professor de português mas, sempre primei pelo uso correto da língua pátria. Não vou dizer que também não cometo meus erros. Isso é normal, embora não desejável. Procuro, porém, escrever com esmero embora, algumas vezes, escapem algumas falhas que cometo. Algumas por desconhecimento mesmo, outras por distração e, outras ainda por erros de digitação. Há ainda aquelas que cometo por falha do sistema operacional. Há uma amaldiçoada correção automática, que transforma as palavras que digitamos corretamente, em alguma aberração incorreta. E quando não se tem tempo de reler o que foi escrito, fica aquela aberração que não fomos nós que escrevemos e sim, o maldito sistema operacional de correção automática.
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Mas, respondendo a uma pergunta que surge sempre: Como escrever corretamente? A principal tarefa para obter tal intento é ler. Ler muito! Livros de qualidade. Não alguns que tem sido lançados por aí, recheados de falhas linguísticas, que só farão o leitor desaprender cada vez mais.
Jornais e gibis também não são uma boa prática de leitura. O primeiro porque, quase sempre, também vem carregado de erros de todo tipo. Muitas vezes, até em manchetes! O outro, é uma leitura pueril, de pouco conteúdo e de linguagem rasteira, que nunca fará o leitor aproveitar muita coisa.
Embora eu tenha sido professor de Física, sempre chamei a atenção dos alunos quanto ao uso correto daquilo que escreviam. E nas provas que corrigia, sempre fazia observações quando alguém escrevia alguma palavra incorretamente.
Hoje quero falar sobre o uso da crase. Sei que é uma coisa muitas vezes difícil de aprender.  Não custa muito, porém.
A primeira e mais importante regra sobre crase é que, sendo a crase a fusão de um artigo e uma preposição (a + a = à ou a + as = às) , nunca poderá haver uma crase antes de uma palavra masculina. Por quê? Fácil resposta. Porque não se coloca artigo feminino antes de um substantivo masculino.  o cadeira”, por exemplo.
Jamais você deveria ver uma crase como a que foi posta a seguir.
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Por quê? Pois não se deve colocar crase antes de palavras do gênero masculino.
1. “A medicina,  a astrologia,  a filosofia, a cultura coletiva,  à educação,  a igualdade, o respeito à vida,  a dignidade da pessoa humana,  a verdade, tudo isso estaria melhor aperfeiçoado numa grande aldeia global.” Acima, antes de educação não há crase. Antes de vida, a crase está corretamente empregada.
2. “ Princípios inerentes a educação.” (incorreto) Aqui a crase é exigida antes de educação.
Princípios inerentes à educação(correto)
Por quê? Antes de vida, acima (frase 1), é exigida a crase pois, vida é um substantivo feminino e a palavra respeito exige como complemento uma preposição “a”. Para descobrir se deve ou não empregar a crase há uma regrinha simples: substitua a palavra depois da crase por um substantivo masculino. Se a frase necessitar de substituir o ‘a” por “ao” (preposição a + artigo o) é porque deve-se empregar a crase. Caso contrário, NÃO TEM CRASE.
Exemplificando: se em vez de vida, na expressão “respeito à vida” substituíssemos a palavra vida por amor, que é um substantivo masculino, ficaria “respeito ao amor”. Então, antes de vida na frase, deve-se empregar a crase.
E por que, antes da palavra educação na frase 1 não se deve colocar a crase? Simples. Naquela frase, antes de educação só há o artigo “a”. Não há preposição.  Como descobrir? Fazendo o mesmo artificio acima. Substitua a palavra educação por uma palavra masculina, conhecimento, por exemplo.
Alguém acha que deveria ficar “(…) a cultura coletiva,  ao conhecimento,  a igualdade, o respeito à vida,  a dignidade da pessoa humana (…)” ? (incorreto)

Claro que não! A frase correta seria  “(…) a cultura coletiva,  o conhecimento,  a igualdade, o respeito à vida,  a dignidade da pessoa humana (…)”  (sem a preposição.
E na frase número 2, por que deve haver crase antes de educação? Razão idêntica. Se substituirmos a palavra educação por um substantivo masculino, conhecimento, por exemplo, como ficaria a frase?
Princípios inerentes ao conhecimento.” Então, deve-se usar a crase.
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Questões gramaticais #1 – O mau emprego de “A gente” e “Agente”

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Não confundir “A gente” com “Agente”

Pior ainda que os erros apontados por alguém que escreveu sobre um tema semelhante, referindo-se aos erros de concordância verbal no uso da locução “a gente”, é quando você encontra a confusão entre “agente” e “a gente”.

Tenho lido nesta grande aldeia global amiúde, pessoas que não distinguem uma expressão da outra. Escrevem sobre “a gente”, isto é, NÓS” como se fosse  “aquele que opera”, “que age”, isto é, “agente”. Ou seja, escrevem: “agente, vai se encontrar hoje à noite.”

Surge de imediato a pergunta: com quem? Sim, pois se é o agente que vai se encontrar hoje à noite, ele se encontrará com alguém.
Mas a pessoa que escreveu não entende a pergunta!
– Como com quem? “Agente vai se encontrar, ora! eu, você, Maria, João e José…”
– Ah! você quis dizer “a gente vai se encontrar”.

“A gente”, é uma expressão ou locução, que pode ser substituída por “nós”. Gente é um substantivo feminino originado do latim (gens, gentis) que significa conjunto de pessoas de mesmo nome ou família.
Embora “a gente” possa ser substituída por “nós” ela corresponde à terceira pessoa do singular.

Definições de “agente” e ” a gente”

Então: “a gente” é feminino e,
“Agente”, é um substantivo masculino que significa autor de uma ação, aquele que opera, que age.

Tenho encontrado com muita frequência, infelizmente, erros desse tipo. E são pessoas universitárias ou já graduadas. Até professores de português viu? Imagine o que ensinam aos que sentam nos bancos das salas de aula!!!

Então, coloque uma coisa na cabeça.

Agente (pegado) é coisa para 007. É o agente secreto. Ou é um agente de polícia. Ou é um agente da companhia de aviação. Mas você estará sempre se referindo A UMA PESSOA ENCARREGADA DE ALGUMA COISA, ao usar as duas palavras juntas.

Enquanto que “a gente” (separado) se refere a NÓS. Um conjunto de pessoas onde, você, está incluída (o).

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