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Akhenaton ou Amenofis IV ( 1379 a.C – 1362 a.C)
Akhenaton1
Este hino já foi publicado aqui antes. Estou apenas republicando-o. Sobre o faraó Akhenaton não vou escrever nada além do hino criado por ele para homenagear Aton. Foi o primeiro homem da história a instituir o monoteísmo, tornando-se assim o mais notável de todos os seres que já habitaram a Terra. Foi marido de uma das mais famosas mulheres da humanidade – a rainha Nefertiti. E consagrou sua vida ao bem e à evolução espiritual. Ele foi um verdadeiro edificador, tendo sido o responsável pela construção de Tel El Amarna que significa Cidade do Sol. Amarna estava localizada entre Menphis e Tebas, na metade do caminho, simbolizando assim o equilíbrio entre o material e o espiritual, demonstrando que ele não era um rei alienado ou sem noção do que estava fazendo. Ele tinha um propósito que era o de criar uma nova era e tornar o seu povo mais consciente e mais próximo de Deus a quem soube como ninguém, cultuar de modo inigualável.
Como prova disto, leiam o hino com que ele homenageou o Sol, a quem tomou como Deus. É uma das mais belas canções já elaboradas como homenagem ao Criador e, uma coisa impressionante, é ver a semelhança deste texto com os salmos da Bíblia em especial o salmo 104. Ressalte-se que este texto foi escrito mais de 1300 anos antes do nascimento de Cristo!!! Ou seja, tudo indica que a Bíblia, ao menos neste salmo, é uma cópia do hino ao sol de Akhenaton.
 
Hino ao Sol – Akhenaton

Tu surges belo no horizonte do céu
Ó Aton vivo, que deste início ao viver.
Quando te ergues no horizonte oriental
todas as terras enches de tua beleza
Tu és belo, grande, resplandecente,
excelso sobre todo o país;
Os teus raios iluminam as terras
Até o limite de tudo o que criaste.
Tu és Ra e conquistas até o seu limite.
Tu as unes para teu filho amado.
Tu estás longe, mas os teus raios encontram-se sobre a terra,
Tu estás diante (da gente), mas eles não vêem o teu caminho.

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Quando tu vais em paz ao horizonte ocidental,
A terra fica na escuridão como morta
Os que dormem encontram-se em suas camas,
As cabeças cobertas com mantas,
Um olho não vê o outro.
Se roubassem seus bens que se acham debaixo de suas cabeças,
Eles nem perceberiam.
Todos os leões saem de suas cavernas;
Todas as serpentes, elas mordem.
A escuridão é (para eles) claro.
Jaz a terra em silêncio.
Seu criador repousa no horizonte.

Na aurora tu reapareces no horizonte.
Resplandeces como Aton para o dia sereno.
Tu eliminas as trevas e lanças teus raios.
As Duas Terras estão em festa:
Acordadas e atentas sobre os dois pés.
Tu as fizestes levantar.
Lavam os seus membros,
Pegam as suas roupas,
Os seus braços estão em adoração ao seu nascimento.
A terra inteira se põe a trabalhar.
Todo animal goza de sua pastagem.
Árvores e relvas verdejam.
Os pássaros voam de seus ninhos,
Com as asas (em forma de) adoração a tua essência
Os animais selvagens pulam em seus pés.
Aqueles que vão embora, aqueles que pousam,
Eles vivem quando tu te levantas para eles.
As barcas sobem e descem a corrente
Porque todos os caminhos se abrem quando tu surges.
Os peixes do rio movem-se deslizando em tua direção
Os teus raios chegam ao fundo do mar.

Tu que procuras que o germe seja fecundado nas mulheres,
Tu que fazes a descendência nos homens,
Tu que fazes viver o filho no seio de sua mãe,
Que o acalentas para que não chore,
Tu nutriz de quem ainda está no colo,
Que dás o ar para fazer viver tudo o que crias.
Quando cai do colo para a terra o dia do nascimento,
Tu lhe abres a boca para falar
E provês as suas necessidades.

Quando o pintinho está no ovo (loquaz na pedra)
Tu ali dentro lhe dás ao para viver.
Tu o completas para que quebre a casca
E dela sai para piar e completar-se
E caminhe com seus dois pés recém-nascidos.

Quão numerosas são as tuas obras!
Elas são irreconhecíveis aos olhos (dos homens)
Tu, Deus único, afora de tu nenhum outro existe.
Tu criaste a terra ao teu desejo,
Quando tu estavas só,
Com os homens, o gado, e todos os animais selvagens.
E tudo o que dá sobre a terra – e anda sobre seus pés –
E tudo aquilo que está no espaço – e voa sobre suas asas.
E os países estrangeiros, a Síria, a Núbia, e a terra do Egito.
Tu colocaste todo homem em seu lugar
Proveste as suas necessidades
Cada um com o seu alimento

E é contada sua duração em vida.
As suas línguas são ricas de palavras,
E também seus caracteres e suas peles.
Tens diferenciado os povos estrangeiros.
E feito um Nilo Duat
Leva-o aonde queres para dar vida às pessoas,
Assim como tu as criaste.
Tu, senhor de todas elas,
Que te cansas por elas,
Ó Aton do dia, grande em dignidade!

E todos os países estrangeiros e distantes,
Tu fazes que também eles vejam.
Puseste um Nilo no céu que desce para eles
E que faz ondas sobre os montes como um mar
E banha seus campos e suas regiões.
Quão perfeitos os teus conselhos todos,
Ó Senhor da eternidade!
O Nilo do céu é teu [presente] para os estrangeiros
E para todos os animais do deserto que caminham sobre os pés:
Mas o Nilo verdadeiro vem de Duat para o Egito.

Os teus raios trazem a nutrição para todas as plantas;
Quando tu resplandece, elas vivem e prosperam para ti.
Tu fazes as estações
Para que se desenvolva tudo o que tu crias:
O inverno para refrescá-las,
O ardor para que te degustem.

Tu fizeste o céu distante
Para brilhares nele
E para ver tudo, tu único
Que resplandeces forma de Aton vivo,
Nascido é luminoso, distante e (também vizinho.
Tu apresentas milhões de formas de ti, tu único:
Cidades, povoados, campos, caminhos, rios.
Todo olho vê a ti diante de si
E tu és o Aton do dia sobre (a terra).

Quando te afastas
E (dorme) todo olho do qual criaste a visão
Para não te ver sozinho.
(e não se verá mais) o que tu criaste,
Tu estás (ainda) no meu coração.
Não há nenhum outro que te conheça
Exceto o teu filho Nefer-kheperu-Rá Ua-en-Rá
Tu fazes com que ele seja instruído em teus ensinamentos e em teu valor.
A terra está em tua mão
Como tu a tens criado.
Se tu resplandeces, eles vivem,
Se tu te pões no horizonte, eles morrem;
Tu és a própria duração da vida.
E se vive de ti.

Os olhos vêem beleza, enquanto tu não te pões.
Deixa-se todo trabalho quando tu te pões à direita.
Quando tu resplandeces, dás vigor ao rei,
E agilidade para todos
Desde quando fundaste a terra.

Tu te levantas para o teu filho
Que saiu do teu corpo
O rei do Vale e do Delta que vive da verdade,
O Senhor dos Dois Países Nefer-kheperu-Rá
O filho de Rá que vive da verdade,
O Senhor das coroas Akhenaton
Sublime de duração de vida:
E da grande esposa real, a senhora dos Dois Países Nefer-neferu-Aton Nefertite
Viva, jovem para sempre na eternidade.”

Que belíssimo poema!!!
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Alberto Valença nasceu em Olinda - PE. Sempre gostou muito de escrever, sendo a leitura um de seus divertimentos preferidos. Com quatro graduações concluídas, o autor enveredou por várias áreas do conhecimento. Em 1973 concluiu Licencitaura em Física pela UFPE, em 1980 concluiu Bacharelado em Psicologia e Formação de Psicólogo com especialização na área de Psicologia Escolar. em 1999 bacharelou-se em Direito e, no mesmo ano, foi aprovado na OAB-PE exercendo a profissão por dez anos. Publicou em 2014 um poema numa antologia e, agora, publica 15 poemas em outra antologia. Desde a infância gostava também de cinema e, em 2006, criou o blog Verdades de um Ser no qual divulga seus textos e comenta sobre literatura e cinema. Posteriormente, criou também o blog O seu companheiro de viagem, com o qual compartilha suas experiências de viagem oferecendo sempre dicas valiosas para quem quer viajar.
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